Cerca 14,6% dos estudantes de 13 a 17 anos, alguma vez na vida e contra a sua vontade, foram tocados, manipulados, beijados ou passaram por situações de exposição de partes do corpo. No caso das meninas, o percentual (20,1%) é mais que o dobro do observado para os meninos (9,0%). Além disso, 6,3% dos escolares informaram que foram obrigados a manter relação sexual contra a vontade alguma vez na vida, sendo 3,6% dos meninos e 8,8% das meninas.

São informações da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2019, do IBGE, que entrevistou estudantes do 7º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio. O universo retratado pela pesquisa abrange 11,8 milhões de estudantes de 13 a 17 anos, dos quais 7,7 milhões tinham de 13 a 15 anos e 4,2 milhões, de 16 ou 17 anos. Os meninos são 5,8 milhões (49,3%) e as meninas, 6 milhões (50,7%). Nas escolas públicas, estudavam 10,1 milhões (85,5%) e nas escolas privadas, 1,7 milhão (14,5%).

Violência sexual atinge uma em cada cinco meninas de 13 a 17 anos

Cerca de 14,6% dos estudantes de 13 a 17 anos alguma vez na vida foram tocados, manipulados, beijados ou passaram por situações de exposição de partes do corpo contra a sua vontade. Tais casos de abuso sexual foram bem mais frequentes entre as meninas (20,1%), com taxa duas vezes maior do que a observada para os meninos (9,0%).

Na rede privada, houve mais relatos desse tipo de violência (16,3%) do que na rede pública (14,4%). Na comparação entre os grupos de idade, os estudantes de 16 a 17 anos apresentaram um percentual mais elevado deste tipo de ocorrência (17,4%, contra 13,2% entre os escolares de 13 a 15 anos). Os alunos da região Norte mostraram maior incidência desse tipo de violência (17,1%), com o maior percentual no Amapá (18,2%).

Entre os escolares que sofreram abuso sexual, 29,1% apontaram o(a) namorado(a) como o agressor; 24,8% apontaram amigo(a); 20,7%, um desconhecido; 16,4%, outros familiares; 14,8%, outras pessoas; e 6,3%, pai, mãe ou responsável.

Casos de estupro foram informados por 8,8% das meninas e 3,7% dos meninos

Cerca de 6,3% dos escolares foram obrigados a ter relação sexual contra a vontade. Entre os meninos, o percentual foi de 3,7% e, entre as meninas, de 8,8%. Os casos foram mais elevados entre os alunos da rede pública (6,5%) do que da rede privada (4,9%). Em 68,2 dos casos de relação sexual forçada, o aluno tinha 13 anos ou menos quando ocorreu a violência.

Para esse tipo de agressão, o(a) namorado(a) (26,1%) e outra pessoa da família (22,3%) foram os principais autores apontados. Mas desconhecido (19,2%), amigo (17,7%), outra pessoa (14,7%) e pai, mãe ou responsável (10,1%) tiveram percentuais também relevantes.

34,6% dos estudantes tomaram a primeira dose de álcool com menos de 14 anos

Em 2019, 63,3% dos estudantes já haviam tomado uma dose de bebida alcoólica (uma latinha ou garrafa long neck de cerveja ou vodca-ice ou um copo de chope ou uma taça de vinho ou uma dose de cachaça/pinga, vodca, uísque etc.), contra 61,4% em 2015, sendo que 34,6% haviam tomado a primeira dose com menos de 14 anos. Para as meninas esse indicador é ainda maior (36,8%, contra 32,3% entre os meninos). Em 2015, esse indicador ficou em 29,2% para as mulheres e 32,1% para os homens.

Dos alunos que já consumiram álcool alguma vez na vida, 47,0% tiveram episódio de embriaguez e 15,7% tiveram problemas com família ou amigos, perderam aulas ou brigaram, uma ou mais vezes, porque tinham bebido. Esse percentual entre as meninas (17,1%) superou o dos meninos (14%) e o dos alunos da rede privada (17,6%) superou os da rede pública (15,3%).

Mais de um terço dos estudantes de 13 e 17 anos já teve relação sexual

Em 2019, 35,4% dos estudantes de 13 a 17 anos informaram já ter tido relação sexual, uma queda de 2,1 pontos percentuais em relação a 2015 (37,5%). Na rede pública, esse percentual (37,5%) foi mais alto do que na rede privada (23,1%).

Na faixa dos 16 aos 17 anos, 55,8% já haviam iniciado a vida sexual. Na faixa dos 13 aos 15 anos, o percentual foi menor (24,3%). Entre os meninos, o índice de adolescentes que já tiveram relação sexual é mais alto (39,9%) do que entre as 31% meninas. A idade média de iniciação sexual é de 13,4 anos para os meninos e de 14,2 anos para as meninas.

Métodos contraceptivos

Entre os estudantes que já haviam iniciado a vida sexual, 63,3% usaram camisinha ou preservativo na sua primeira relação. A pesquisa mostrou ainda que 40,0% dos escolares compraram a camisinha (seja em farmácias, mercados ou lojas) e 22,1% a obtiveram junto aos serviços de saúde. Em 21,7% dos casos foi o(a) parceiro(a) que apresentou o preservativo.

A pílula anticoncepcional foi o método contraceptivo (exclusive a camisinha) utilizado pela maioria dos escolares (52,6%). A pílula do dia seguinte (17,3%) e os contraceptivos injetáveis (9,8%) foram a segunda e a terceira categoria mais utilizadas. Esses três métodos foram utilizados na última relação sexual por quase 80% dos adolescentes que já haviam tido uma relação sexual.

Entre as meninas de 13 a 17 anos que já haviam tido relação sexual, 7,9% estiveram grávidas alguma vez na vida. Em escolas da rede pública, essa proporção foi de 8,4%, enquanto entre as meninas da rede particular o percentual foi quase três vezes menor: 2,8%.

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