Os Estados Unidos superaram a barreira de 4 mil mortes provocadas pelo novo coronavírus nesta quarta-feira (1º), número que dobrou em apenas três dias, de acordo com o balanço da Universidade Johns Hopkins. O país registra 189.510 casos de Covid-19. Depois de minimizar em um primeiro momento o impacto da doença, o presidente Donald Trump advertiu aos americanos que as próximas duas semanas “serão muito dolorosas”.

A pandemia provocada pelo novo coronavírus matou mais de 30 mil pessoas na Europa, continente mais afetado pela Covid-19 até o momento, segundo balanço da agência de notícias France Presse. Mais de dois terços dessas mortes aconteceram na Itália (mais de 12 mortos) e na Espanha (mais de 8 mil). O terceiro país mais afetado é França (mais de 3 mil).

O departamento de saúde do Reino Unido atualizou nesta manhã o número de casos na região: são 29.474 pessoas contaminadas das 152.979 que foram submetidas ao teste para detectar a presença do novo coronavírus. Dos hospitalizados com Covid-19, 2.352 morreram. Destas mortes, 563 aconteceram nas últimas 24 horas.

Nas últimas 24 horas, a Espanha registrou 864 mortes por Covid-19. Esse é o segundo dia seguido que o país tem um recorde no número de mortos.

Desde o início da epidemia, que começou em dezembro na cidade chinesa de Wuhan, mais de 877 mil casos de contágio foram registrados em 186 países ou territórios em todo o mundo. O número de casos positivos diagnosticados, no entanto, reflete apenas uma parte do número total de infecções devido às diferentes metodologias dos países para diagnosticar os casos.

Casos assintomáticos

Pessoas com máscaras passam pela entrada de estação de metrô em Pequim, na China, nesta quarta-feira (1º)  — Foto: Mark Schiefelbein/AP

Pessoas com máscaras passam pela entrada de estação de metrô em Pequim, na China, nesta quarta-feira (1º) — Foto: Mark Schiefelbein/AP

China anunciou pela primeira vez que o número de casos assintomáticos da Covid-19: atualmente 1.367 pessoas estão com a doença mas não têm febre ou tosse características. O país se empenha em identificar esses casos, porque eles são transmissores do novo coronavírus. Mais de 80 mil pessoas foram atingidas pelo vírus e mais de 3,3 mil pessoas morreram.

China tenta identificar casos assintomáticos da Covid-19

China tenta identificar casos assintomáticos da Covid-19

Na França

Com os hospitais de Paris operando em sua capacidade máxima, dois trens de alta velocidade vão transferir 36 pacientes da capital para o Oeste da França. Os trens estão com equipamentos médicos e farão a transferência para tentar aliviar os hospitais da cidade, de acordo com o Ministério da Saúde.

O primeiro trem, com 24 pacientes, já saiu de Austerlitz, em Paris, e foi para Saint-Brieuc e Brest, na Bretanha, região menos afetada pela pandemia. O segundo, com os outros 12, deve ir em direção a Rennes. São mais de 52 mil contaminados em território francês.

Pacientes são transportados de Paris para regiões menos afetadas na França — Foto: Thomas Samson/AP Photo

Pacientes são transportados de Paris para regiões menos afetadas na França — Foto: Thomas Samson/AP Photo

Na Argentina

Presidente da Argentina, Alberto Fernández assinou um “Decreto de Necessidade e Urgência (DNU)” que proíbe demissões sem justa causa e por motivos de falta ou diminuição de trabalho e força maior por 60 dias. Não serão reconhecidas o fim dos vínculos laborais existentes.

O governo argentino também ordenou a transferências de 30 milhões de pesos para o Fundo Argentino de Garantia a fim de conceder garantias aos bancos para facilitar o acesso a empréstimos de capital de giro por micro, pequenas e médias empresas devidamente registradas. O valor pode cobrir até 100% de um empréstimo.

Pelo mundo

O bloqueio total da Itália deve continuar ao menos até o dia 13 de abril, de acordo com o ministro da saúde Roberto Speranza. Ao Senado, o ministro afirmou que não se pode confundir os primeiros sinais positivos com “tudo limpo” no país, o mais afetado pela Covid-19 na Europa. O chamado “lockdown” está em vigor na região desde o dia 9 de março.

Na tentativa de conter o avanço do coronavírus em seu território, o Japão anunciou o veto na entrada de estrangeiros de 73 países, incluindo o Brasil. O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro Shinzo Abe, que destacou o fato do país ainda não ter declarado estado de emergência. O pedido é para que os cidadãos japonês retornem e cumpram uma quarentena de duas semanas. Além do Brasil, estão na lista a maioria dos países europeus, os Estados Unidos e todas as partes da China e Coreia do Sul.

Depois de ter contato com o médico responsável pelo principal hospital de Moscou, na Rússia, o presidente Vladimir Putin vai trabalhar de sua residência, de acordo com o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov. O médico foi diagnosticado com Covid-19 uma semana depois de se encontrar com Putin.

O governo federal da Alemanha, em conjunto com os 16 estados do país, estuda prorrogar as medidas de isolamento social ao menos até o feriado de Páscoa, em 12 de abril, para evitar ainda mais a disseminação do vírus no país, de acordo com a Focus Online.

Sede do parlamento escocês e segunda cidade mais populosa da Escócia, Edimburgo não irá realizar seu tradicional festival de teatro pela primeira vez em mais de 70 anos em razão da Covid-19. O festival, o maior de artes cênicas no mundo, costuma reunir no mês de agosto 25 mil artistas e 4,5 milhões de espectadores. O anúncio foi feito no site oficial do evento.

Irã superou os 3 mil mortos pela doença, depois de registrar mais 138 mortes nas últimas 24 horas, de acordo com autoridades sanitárias do país. Segundo levantamento da universidade Johns Hopkings, são mais de 44 mil contaminados na região.

No Brasil

Seis fabricantes de veículos já anunciaram ações de combate ao coronavírus. Com todas as fábricas paradas no país, as marcas vão concentrar seus esforços em inciativas como a produção de máscaras e o reparo de respiradores quebrados.

Governador de São Paulo, João Doria anunciou que no estado a General Motors fará o reparo, a Toyota vai doar ambulâncias e álcool em gel e a Volkswagen e Hyundai vão doar máscaras.