A 1ª Câmara Criminal do TJPR (Tribunal de Justiça do Paraná) vai julgar, nesta quinta-feira (22), um pedido da defesa de Abib Miguel, o Bibinho, condenado a 251 anos de prisão pelos crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Segundo o MPPR (Ministério Público do Paraná), o ex-diretor-geral Alep (Assembleia Legislativa do Paraná) teria comandado um esquema de lavagem de dinheiro entre 1997 e 2014, com o desvio de mais de R$ 200 milhões.

Em fevereiro de 2021, a 2ª Câmara Criminal do TJPR manteve a condenação de Abib Miguel, porém, para a defesa de Bibinho um dos desembargadores, José Maurício Pinto de Almeida, é suspeito para julgar o caso, já que foi o relator do chamado “Diários Secretos”, que foi uma série de reportagens produzidas pela Gazeta do Povo e RPC TV que denunciou o esquema.

Caso os desembargadores entendam hoje que há motivos para cancelar a condenação, um novo julgamento será marcado. O TJP informou, por meio de nota, que as razões de agir dos magistrados são fundamentadas em suas decisões e que nenhum desembargador pode se manifestar sobre processos em julgamentos.

ESQUEMA DE LAVAGEM DE DINHEIRO X ABIB MIGUEL

As investigações apontaram que o ex-diretor da Alep era responsável por um esquema de contratação de funcionários “fantasmas”, causando desvio de R$ 216 milhões em recursos públicos entre os anos de 1997 e 2010.

O dinheiro desviado foi utilizado por Bibinho para comprar ao menos 60 imóveis nos estados de Paraná, Goiás, Tocantins, Rio Grande do Norte, Mato Grosso, Santa Catarina e São Paulo.

Por essa lavagem de dinheiro, também foram condenados outros sete denunciados – entre eles parentes de Bibinho como o irmão, a esposa e três filhos do ex-diretor da Alep.
Todos os imóveis citados no processo serão arrendados para reparação dos danos aos cofres públicos, sendo que os réus ainda terão que desembolsar em multas R$ 216.842.372,53. Bibinho atualmente cumpre prisão domiciliar em Curitiba.