O Sindicato dos Docentes da Universidade Estadual de Ponta Grossa (SINDUEPG) realizará uma mesa de debate sobre assédio no ambiente universitário. A atividade foi uma demanda da categoria docente e ocorrerá no Pequeno Auditório do Bloco A (Campus Central – UEPG) no dia 04 de julho às 19h. O evento é gratuito e aberto a toda comunidade interessada. As debatedoras serão as professoras Jeaneth Nunes Stefaniak e Maria Cristina Rauch Baranoski, e a mesa terá mediação da professora Cleide Lavoratti.

A professora Jeaneth Nunes Stefaniak, debatedora do evento, explica que ter um ambiente de trabalho saudável é um direito humano fundamental. Uma das queixas recorrentes dos trabalhadores brasileiros, incluído os servidores das universidades, professores e técnicos, é relativa ao assédio moral. A professora também ressalta que o assédio moral é uma violência que é praticada cotidianamente contra os trabalhadores brasileiros no ambiente de trabalho.

“Nosso sindicato está conectado com as demandas do nosso cotidiano, demandas e denúncias que ocorreram durante o nosso período de greve em que, notoriamente, os professores temporários sofreram assedio em seu ambiente de trabalho. O Sinduepg resolveu promover esse evento onde estará em pauta o debate sobre o assedio moral. Será uma mesa redonda em que pretendemos abordar todos os aspectos vinculados a esse mal que assola os trabalhadores brasileiros”, complementa a professora.

Segundo dados levantados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, entidade que sistematiza o Atlas da Violência, em comparação com pesquisas anteriores, todas as formas de violência contra a mulher apresentaram crescimento acentuado no último ano. A quarta edição da pesquisa “Visível e Invisível”, encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública junto ao Instituto Datafolha, mostra que mais de 18 milhões de mulheres sofreram alguma forma de violência em 2022. Os dados foram publicados em março de e estão disponíveis em clicando em: https://forumseguranca.org.br/publicacoes_posts/visivel-e-invisivel-a-vitimizacao-de-mulheres-no-brasil-4a-edicao/

A professora Maria Cristina Rauch Baranoski também estará como debatedora do evento e ressalta que o sindicato é um instrumento de luta da classe trabalhadora e seu papel também deve ser combater o assédio no local de trabalho. “Há necessidade de abrir discussões a respeito das condutas que configuram assédios (moral/sexual), uma vez que estamos inseridos numa sociedade patriarcal cujo resultado é uma masculinidade tóxica nas relações, sejam elas públicas ou privadas, gerando violências tanto no âmbito familiar, como também nas relações de trabalho, cujos comportamentos acabam sendo ‘tolerados’. Por isso há necessidade da desconstrução dessas práticas”, afirma a professora.

Transformações no mundo do trabalho e opressões de gênero

A edição 64 da revista Universidade e Sociedade, publicada pelo ANDES-SN, retrata as opressões de gênero e transformações no mundo do trabalho. Segundo um dos artigos presente na revista à precarização das condições de trabalho se somam o adoecimento, assédio moral e sexual e enfrentamento do machismo na esfera política e sindical. Outro texto aponta que as universidades e os espaços de trabalho são ambientes propícios para o exercício das violências e necessitam do desenvolvimento de políticas de contenção e enfrentamento da cultura violenta do patriarcado. A edição 64 da revista Universidade e Sociedade está disponível clicando em: https://www.andes.org.br/img/midias/a452f279df0114a269920b82dd61b091_1563379753.pdf