A saúde de pacientes pode ganhar mais um aliado vindo diretamente do curso de Engenharia da Computação, da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Um grupo de estudantes, juntamente com profissionais do Programa de Residência Multiprofissional em Reabilitação do Hospital Universitário (HU-UEPG), desenvolve um projeto de realidade virtual que auxilia na recuperação de pacientes internados. Mesmo na fase de testes, os idealizadores da proposta buscam mostrar que diferentes áreas do conhecimento podem cooperar para o desenvolvimento da ciência e da saúde.

O aplicativo poderá colaborar no tratamento de pessoas com Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) e futuramente em outras áreas da saúde. O paciente realiza exercícios na bicicleta ergométrica enquanto utiliza óculos de realidade virtual. Dessa forma, o grupo busca verificar se a tecnologia 3D traz efeitos fisiológicos ao corpo, sem contar necessariamente com a carga física. A iniciativa vem do planejamento da instituição, que busca promover aproximação entre o HU-UEPG e os cursos de graduação.

Tudo começou no Departamento de Informática, onde acontece o grupo de estudos sobre jogos eletrônicos, em que os participantes trabalham com realidade aumentada e realidade virtual. “Juntamente com a professora Juliana Schleder, traçamos os objetivos deste primeiro experimento com o HU e logo após a ideia foi lançada aos acadêmicos de Engenharia de Computação, que aceitaram o desafio”, conta Maurício Zadra Pacheco, professor do Departamento de Informática.

O fato de Pacheco estar envolvido com a disciplina de computação gráfica nos cursos de Engenharia de Software e de Engenharia de Computação, além de participar da implantação do novo sistema de gestão do HU, abriu portas para a implantação do projeto de realidade virtual na área de saúde do Hospital. Com a parceria, estudantes do curso de Engenharia da Computação adaptaram o projeto ao Trabalho de Conclusão de Curso, com auxílio e pesquisa dos residentes em reabilitação do HU-UEPG.

O projeto

O aplicativo para celular foi desenvolvido do zero, com auxílio do motor gráfico Unity e linguagem de computação C Sharp.  Os celulares e óculos de realidade virtual foram cedidos pela UEPG. O paciente verá um cenário 3D, que é sensitivo a movimentos e que fornece ambientes que se movem junto com a mobilidade do usuário.

Até o momento, são 7 pessoas envolvidas no projeto, dentre orientadores, estudantes e residentes. O protótipo foi pensado para ajudar pacientes em leitos clínicos e em Unidades de Terapia Intensiva. A utilização da realidade virtual como método de auxilio na fisioterapia já é aplicada há alguns anos. Porém, no momento, as pesquisas com esta prática se concentram em estudar pacientes com problemas neurológicos e paralisia cerebral.

De acordo com a residente e fisioterapeuta, Elaine Becher Santos, existem estudos que mostram a melhora dos pacientes que realizam atividades em realidade virtual, comparado com os que fazem intervenções convencionais, mas ainda são necessários mais estudos. “Dentro da área pulmonar ainda temos poucos artigos sobre essa prática, por questão de utilização do espaço e aceitação do paciente. Porém, sabemos que o usuário consegue aderir muito mais a terapia com este aparato do que comparado ao tratamento convencional”, explica.

Para dar início à aplicação, os residentes estão estudando critérios específicos de seleção dos que irão participar da pesquisa. O paciente precisa estar consciente e ter resposta ocular, além de se encaixar com os demais critérios motores e neurológicos. Pacheco destaca que só foi possível o projeto sair do papel por conta da aquisição dos equipamentos. “Preciso salientar o empenho da administração da UEPG, através da reitoria, da Pró-Reitoria de Assuntos Administrativos (Proad) e da administração do HU que sempre incentivaram o desenvolvimento, mesmo em tempos complicados pelos quais estamos passando”, completa.

Da assessoria.