A Polícia Científica do Paraná (PCP) começa nesta segunda-feira (14) a coleta de DNA de familiares de pessoas desaparecidas em todo o Estado. A ação faz parte da campanha “Coleta de DNA de familiares de pessoas desaparecidas”, elaborada pelo grupo de trabalho da Rede Integrada de Banco de Perfis Genéticos, do Ministério da Justiça e Segurança Pública. A Polícia Científica é vinculada à Secretaria estadual da Segurança Pública.

O diretor-geral da Polícia Científica, Luiz Rodrigo Grochocki, destaca a campanha de coleta de DNA de pessoas desaparecidas, que tem, segundo ele, o objetivo de acabar com a dúvida das famílias que buscam seus entes desaparecidos. Para ele, com um maior número de amostras no banco nacional de perfis, será mais fácil encontrar o paradeiro destas pessoas em qualquer lugar do País.

“Esta coleta é importante não só para o nosso trabalho aqui no Paraná, pois todas as polícias científicas do Brasil terão acesso no Banco de Perfil Genético. Muitas vezes o perfil das pessoas que estão desaparecidas pode estar em qualquer lugar do País, inserido no banco, mas se você não tiver o material dos familiares para o confronto de amostras, o caso pode ficar sem solução”, afirmou.

O objetivo da coleta de amostras biológicas de familiares de pessoas desaparecidas é para a inclusão nos bancos de perfis genéticos por meio de encaminhamentos das amostras, de referências diretas da vítima desaparecida, que podem ser coletadas por meio de objetos pessoais como escova de dentes, aparelho de barbear, entre outros materiais.

Serão coletadas, preferencialmente, amostras de dois familiares de primeiro grau, seguindo a ordem de preferência, com os pais em primeiro, depois filhos e cônjugues (pai/mãe do filho); e os irmãos. As amostras poderão ser confrontadas com restos mortais não identificados (ossada) e pessoas de identidade desconhecida cadastradas no Banco de Perfis genéticos, exclusivamente para fim de identificação humana.

A filha de Cleocir de Fátima da Fontoura, Liliana, desapareceu dia 15 de julho de 2020 e uma semana depois localizaram o carro dela queimado perto da cidade de Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba. Desde então, a mãe vive com o sofrimento de não ter o paradeiro da filha. Procurando uma resposta, Cleocir fez o exame de DNA, motivada pela campanha.

“É uma esperança que podemos ter de encontrar um ente querido. Temos que dar chances para todas as hipóteses e eu espero que a minha possa estar viva, por isso fiz este exame de DNA. Aconselho as pessoas que estão com este tipo de problema para fazer o mesmo. É um exame bem prático”, disse.

Segundo a perita do Laboratórios de Genético Forenses da Polícia Científica do Paraná, Marianna Maia Taulois do Rosário, a coleta de amostras é bem rápida e as pessoas podem fazer sem medo. “O procedimento é indolor, pois apenas colocamos uma esponja no interior da bochecha para que esse material receba a mucosa oral. Depois ele é transferido para o cartão e encaminhando para o laboratório para fazer a extração do DNA”, afirma.

SERVIÇO – Para a coleta é necessário fazer um agendamento em qualquer sede do Instituto Médico Legal do Paraná (telefone e endereço das sedes do IML no LINK).

No entanto, para o agendamento é preciso ter um Boletim de Ocorrência Unificado (BOU) aberto sobre o desaparecimento da pessoa procurada. Além disso, o registro deve ter um período mínimo da ausência do familiar (cerca de 30 dias – podendo variar conforme a circunstância do fato) com o objetivo de garantir que tenha uma investigação policial.

Durante as coletas serão tomadas todas as medidas de biossegurança tanto para os profissionais quanto para as pessoas que irão até as sedes para a coleta.

BANCO DE PERFIL GENÉTICO – A Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos (RIBPG) foi criada com o objetivo de manter, compartilhar e comparar perfis genéticos para ajudar na apuração criminal e no processo de investigação, inclusive de pessoas desaparecidas.

Até a divulgação do último relatório, em novembro de 2020, o Banco Nacional de Perfis Genéticos contava com mais de 91 mil perfis cadastrados, sendo mais de 5,5 mil mapeados pela Polícia Científica do Paraná. O dado coloca o Estado na sexta colocação com a maior contribuição absoluta de perfis genéticos no Banco Nacional.

da AEN