A data oficial do aniversário de Palmeira é o dia 7 de abril. Foi no ano de 1819, neste dia e mês, que o tenente Manoel José de Araújo, dono da Fazenda da Palmeira, e sua mulher, Ana Maria da Conceição de Sá, doaram o terreno onde deveria instalar-se a nova freguesia, em substituição à do Tamanduá, que passava por uma evasão de sua população devido às dificuldades que o local apresentava, principalmente a escassez de água. Antes disso, porém, a construção da Igreja Matriz da nova freguesia já havia sido iniciada, conforme relata Arnoldo Monteiro Bach em seu livro “Tropeiros”, publicado em 2010.

A pedido do padre Antônio Duarte dos Passos, a doação das terras aconteceu para, além de sediar a igreja, estimular a formação da freguesia, localizada na passagem do histórico Caminho das Tropas. A princípio, os ofícios religiosos eram realizados em uma capela feita em madeira, enquanto se aguardava a conclusão do templo que estava sendo construído em pedra e cal. A povoação tinha o nome de Freguesia Nova de Nossa Senhora da Conceição da Palmeira. O patrimônio também foi enriquecido por terrenos doados por escritura pública pelo barão de Tibagi e por D. Josefa Joaquina de França.

Com a transferência da sede da freguesia para Palmeira, em busca de melhores condições de vida, sua população também foi se mudando para o novo povoado. A inauguração da Igreja Matriz de Palmeira aconteceu em ato solene no dia 8 de dezembro de 1837, dia consagrado à padroeira, Nossa Senhora da Conceição. A construção do templo durou mais de 15 anos. Depois da inauguração, outras ampliações e reformas aconteceram, como a segunda torre frontal e a instalação do relógio, no início do século 20, e a torre na parte de trás, concluída em 1957. O muro de arrimo na frente e dos lados da igreja também foi construído anos depois.

No interior da igreja, as paredes antes caiadas e depois pintadas em tom único ganharam, anos mais tarde, uma pintura artística, executada por Otto Vogueta, de São Paulo, que foi contratado pelo padre Humberto Ostendler, vigário da paróquia no período de 1929 a 1936. O trabalho do artista foi realizado em dez meses, nas paredes e no forro.

Segundo Bach, em seu livro, descrevendo o templo, diz que “o estilo adotado foi o clássico com duas torres, compondo-se a obra de dois corpos distintos. O de trás menor em área e altura, onde está o altar-mor, e do outro lado um espaço com as mesmas medidas, utilizado para reuniões e outras atividades religiosas. A parte por onde foi iniciada a construção tinha dimensões que permitiam a realização de ofícios religiosos. Nessa parte eram realizadas as missas, terços, novenas e todas as celebrações divinas”.

Posteriormente, na segunda metade do século 19, no ano de 1878, o povoamento da região sofreu grande incremento com a chegada de novos colonos, imigrantes russos e alemães, e Palmeira, elevada à condição de vila em 1869, teve acentuado progresso. Pela Lei n° 238, de 9 de fevereiro de 1877, recebeu foros de cidade, emancipando-se politicamente e conservando a primitiva denominação.

Por Leia A Folha