É a primeira vez que um chefe do Poder Executivo se reúne com todos os representantes do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde (Cosems/PR). Além do apelo, o encontro serviu para reforçar o apoio da Secretaria de Estado de Saúde aos municípios e dar boas-vindas aos secretários que assumiram o cargo no começo deste ano, já em meio à pandemia.

O pedido leva em consideração a chegada paulatina de novas doses dos imunizantes contra o novo coronavírus a partir do final deste mês e de março. O Governo do Paraná tem disponibilizado as doses aos municípios assim que elas são filtradas no Centro de Medicamentos do Paraná (Cemepar), com uma logística de distribuição que permite alcançar as 22 Regionais em poucas horas. A partir disso a organização da vacinação e dos grupos prioritários é feita pelos municípios.

“Temos que dar mais velocidade na campanha de vacinação. É a única solução que temos nesse momento, mesmo não tendo o volume suficiente para resolver tudo de uma só vez. Alguns estados têm conseguido fazer uma vacinação de forma bem veloz. Mas nossa preocupação não é com o ranking, é que mais gente vacinada em menos tempo permite diminuir os nossos problemas”, afirmou Ratinho Junior.

Ele também destacou a chegada de novas doses da vacina da AstraZeneca/Fiocruz nesta quarta-feira (24) e disse que o Estado encaminhará os frascos para as regionais o mais breve possível para a continuidade do Plano Estadual de Vacinação contra a Covid-19. O governador ressaltou que o Estado mantém diálogo constante com o Ministério da Saúde para que haja celeridade na esfera federal, o que é primordial no processo.

“Meu pedido é que os secretários municipais reúnam suas equipes e trabalhem ainda mais junto aos núcleos regionais do Estado para fazer um planejamento mais agressivo e colocar velocidade no processo”, acrescentou o governador.

TESTES – Ratinho Junior cobrou uma volta da testagem em massa de casos sintomáticos e pessoas que tiveram contato com confirmados. O Paraná ainda é referência nacional na aplicação e no processamento de testes RT-PCR (tipo gold), com mais de 1,5 milhão realizados desde o começo da pandemia e uma parceria afinada entre o Laboratório Central do Estado do Paraná (Lacen) e o Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP). O Estado chegou a realizar mais de 30% dos testes do País, o que permitiu ser assertivo no controle do contágio.

“Mas detectamos que caiu em torno de 35% o número de testes feitos nos municípios. Isso é muito ruim porque o Paraná é referência nacional nesses exames. Já fizemos um volume absurdo, o que adjudou a balizar uma série de decisões, auxiliando o Estado e as prefeituras. A queda acaba desvirtuando a análise para a tomada de decisões”, disse o governador.

Ele agradeceu o apoio dos secretários municipais desde o começo da pandemia, no começo de 2020. “O Paraná tem números bons comparados aos outros estados porque houve trabalho e o esforço conjunto da secretaria estadual e dos municípios, independente do tamanho da cidade ou de qualquer tipo de visão política do gestor”, disse.

O secretário estadual de Saúde, Beto Preto, ressaltou que o encontro mostrou unidade. “Somos municipalistas. Todos os dias temos ações focalizadas. Hoje demonstramos mais uma vez que juntos podemos fazer um enfrentamento melhor. Essa estratégia conseguiu reduzir o número de vítimas fatais no Paraná”, afirmou.

CENÁRIO – O governador falou sobre o momento da pandemia no Estado e disse que o Governo estuda novas medidas para evitar o colapso da rede de proteção da saúde. “Estamos vivendo um dos piores momentos com o aumento do número de casos. Houve um afrouxamento das medidas de proteção por parte da população com a chegada da vacina e há indicativos de circulação da nova cepa do coronavírus”, disse Ratinho Junior.

Ele destacou o aumento das internações de pessoas mais jovens. “Há um esforço gigante de todas as nossas equipes para ampliar leitos de UTI e de enfermaria, e os municípios também têm buscado alternativas para, mas existe uma dificuldade de pessoas, equipamentos. Existe um teto de ampliação. Temos que manter as restrições e continuar cobrando o cumprimento das medidas de proteção”, afirmou.

Segundo ele, as novas medidas que serão adotadas servem como um guarda-chuva, mas podem ser alvo de mudanças por parte dos municípios. “Não tem como um decreto atender as realidades dos 399 municípios. O que buscamos desde o começo da pandemia é construir um entendimento que cuida do todo e permitir que prefeitos e secretários municipais avaliem pontualmente a necessidade de reforçar as medidas dentro de contextos locais”, completou.

Da AEN.