Na manhã desta terça-feira (21), o Hospital Universitários de Ponta Grossa emitiu uma nota  informando a preocupação com o baixo estoque de medicamentos sedativos e bloqueadores neuromusculares, utilizados para o tratamento de pacientes em UTI. De acordo com o diretor técnico do HU, Fernando Torres, esse é um problema nacional. “Como São Paulo e o nordeste tiveram um número de casos de coronavírus muito alto e muito rápido, eles compraram um estoque muito grande desses medicamentos. E a indústria não estava preparada para essa demanda”, explica.

Fernando lembra que, antevendo a falta de medicamentos, em meados de março o hospital já havia tomado uma série de medidas para economizar os suprimentos, como suspensão de cirurgias e exames eletivos que necessitam de sedação. “Esses medicamentos são utilizados em três situações: no centro cirúrgico para as cirurgias de um modo geral, nos pacientes que vão para a UTI depois, e também nos pacientes da Covid-19. Acontece que os pacientes graves da Covid-19 consomem muito desses medicamentos”, conta o médico.

Dentre os medicamentos utilizados para o tratamento de pacientes graves da Covid-19, alguns estão com estoque em estado crítico. “Um dos medicamentos se chama Pancurônio, é o mais comum, que é um relaxante muscular. A gente usa 68 ampolas por dia desse medicamento, e a gente tem estoque para mais oito dias”, alerta o diretor técnico. “Outro medicamento muito usado é o Midazolan, ele é um sedativo. Esse a gente gasta 232 ampolas por dia e tem estoque para mais 13 dias”, complementa.

Aumento de leitos de UTI

O médico lembra que o aumento da demanda de leitos de UTI fez com que o estoque desses medicamentos diminuísse de maneira acelerada. “Nós estamos com 50 leitos de UTI no hospital, sendo 20 regular e 30 para Covid-19. O meu planejamento estratégico era para 20 pacientes, eu estou tendo que lidar com um planejamento para 50”, comenta.

Alta de preços

Com o aumento da demanda e a baixa oferta, os preços dos medicamentos aumentaram muito, dificultando a compra por parte de instituições públicas. “Tem medicamento aí que está o triplo do preço. E aí eu tenho um grande problema, porque eu sou um ente público e preciso seguir uma tabela de preços. Se eu comprar acima desse preço posso ser acusado de superfaturamento”, coloca Fernando.

O diretor técnico afirma que a situação é preocupante. “Eu tenho feito os pregões para comprar e não consigo comprar porque o preço está muito alto. A única forma de conseguir seria se o Estado fornecesse por outras vias, se a gente tivesse um fornecedor disposto a vender nos preços que podemos praticar ou através de doações”, finaliza.

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