O nome dele é Thiago Maier dos Santos, mas quem é torcedor do Operário Ferroviário Esporte Clube (OFEC) certamente o conhece como “Schumacher”. Atuando desde 2017 no clube, o jogador vem se destacando no time e conquistando o carinho da exigente torcida operariana. Natural de Curitiba, Schumacher começou a carreira no Club Athletico Paranaense e atuou em times da Itália, Espanha, França, Áustria, Ucrânia e Portugal. Conheça um pouco da intimidade do atleta.

Como surgiu o apelido “Schumacher”?
Dos meus cinco anos até os sete, eu joguei como goleiro de um time de futebol de salão. Na mesma época, havia um goleiro alemão chamado [Harald] Schumacher se destacando nos mundiais de 82 e 86. Como eu era bem loirinho, ganhei o apelido em homenagem a ele.

Então a sua ligação com o futebol vem desde criança?
Com certeza. A minha tia me levava junto com os meus primos para jogar bola em vários lugares. Desde os quatro anos eu entrei na escolinha e não parei mais.

Você sempre quis seguir carreira no futebol ou já pensou em ter outra profissão?
Na minha cabeça de criança, aqueles jogadores que eu via na televisão ficariam lá para sempre. Eu não entendia que você poderia ir evoluindo e subindo de categoria até se tornar profissional. A partir do momento que eu compreendi isso, procurei treinar para chegar no nível profissional.

Você jogou durante dez anos na Europa. Existe diferença entre o futebol de lá e o praticado aqui no Brasil?
Tem bastante diferença. Quando eu saí daqui ainda não havia uma cobrança tão forte na parte tática, coisa que já acontecia nos clubes europeus. No Brasil, o camisa nove [centroavante] era aquele cara que tinha que ficar parado apenas esperando a bola para fazer o gol. Lá fora não era assim, esse jogador tinha que abrir espaço e criar jogadas.

Na sua opinião, o que é preciso ter para ser um bom jogador de futebol?
Ter o dom, esforço e dedicação. Hoje, na minha opinião, a parte técnica do jogador acabou ficando para trás. Muitas vezes os clubes preferem um atleta com mais força do que um jogador técnico e que saiba jogar bola.

Você considera essa mudança ruim?
Não é exatamente ruim, porque esse atleta é mais produtivo. O jogador que corre e tem muita força acaba se sobressaindo sobre o jogador mais técnico. Por outro lado, o público gosta do futebol bonito e hoje, infelizmente, o futebol não está mais tão bonito. O futebol virou mais força e preparo físico.

A torcida do Operário tem fama de ser muito apaixonada. Você sente esse carinho no dia a dia?
Com certeza. Ontem mesmo eu fui no mercado e o rapaz que trabalha lá me cumprimentou umas quatro ou cinco vezes. É uma torcida que acompanha mesmo, e que é muito exigente, às vezes até cobrando um pouco mais do que deveria. É muito melhor jogar num estádio que tenha bastante gente torcendo e cobrando do que num estádio vazio. Ter essa motivação de fora ajuda a gente a dar aquele gás a mais.

Qual foi o momento mais emocionante para você no Operário?
Foi nas oitavas de final da Série D [em 2017], num jogo contra o Espírito Santo. Nós estávamos atrás no placar na somatória das duas partidas e eu jogava muito pouco. Acabei entrando no segundo tempo e fiz o gol que levou a partida para os pênaltis. Foi o jogo mais complicado do nosso acesso para a Série C e nós vencemos. Na Série C [em 2018] também teve outro momento marcante. Nós perdemos a primeira partida para o Nacional de Santa Cruz por 1 a 0. No segundo jogo, em casa, fiz um dos gols que levaram à classificação para a Série B.

Existe algum sonho que você ainda deseja realizar como jogador?
Claro que todo jogador sempre tem o sonho de jogar na seleção brasileira, mas, com a idade e a consciência que eu tenho, sei que é impossível. O que eu quero agora é ajudar o clube o máximo que eu conseguir, e encerrar a carreira de cabeça erguida, sabendo que eu fiz o meu melhor e sem ter feito mal a ninguém.

Por Michelle de Geus | Foto: José Tramontin