Segundo o jornal espanhol “El Periódico”, imagens das câmeras de segurança desmentem uma das versões de Daniel Alves para se defender da acusação de agressão sexual que o levou a ser detido na sexta (20). O diário afirma que o jogador teria permanecido cerca de 15 minutos trancado no banheiro da área VIP da boate Sulton, em Barcelona, com a mulher que o acusa de estupro.

A primeira versão do depoimento do craque e um vídeo que ele enviou para um canal de TV espanhol em 5 de janeiro sustenta que o jogador não sabia de quem se tratava a vítima. Na sexta (20), intimado a depor, ele mudou a versão duas vezes e admitiu que conhecia a mulher, mas que a relação tinha sido consensual.

A juíza Maria Concepción Canton Martín decretou a prisão provisória do atleta, sem direito a fiança, diante das contradições no depoimento e do risco de fuga do suspeito, que já tinha passagem comprada para o México.

Segundo o depoimento da vítima, o jogador teria se sentado no vaso sanitário, subido o vestido dela e a forçado a transar com ele. Depois, a jogou ao chão e a obrigou a fazer sexo oral nele. A vítima afirma que foi agredida ao tentar resistir à investida. Ele também a teria penetrado a força antes que ela conseguisse finalmente sair do reservado.

A situação teria ocorrido no dia 30 de dezembro de 2022. Não há câmeras dentro do banheiro, mas as imagens mostram a entrada dos dois, em momentos distintos e depois as saídas de ambos – ela saiu primeiro. Em seguida, a mulher procura um grupo de amigas que a acompanhava e faz a denúncia no ato. Seguranças ainda tentaram conter o atleta, mas ele já tinha deixado a boate.

A mulher foi até um hospital próximo para ser examinada e, segundo a imprensa espanhola, foram constadas lesões características de estupro.

Contradições

Diante da juíza, Daniel Alves disse que estava no banheiro quando a mulher entrou e negou que houve relação entre eles. A um promotor, disse que não sabia como agir e que permaneceu parado quando ela entrou no recinto.

Depois, ele respondeu à acusação e alegou que não falou nada antes para “proteger” a mulher que o acusa. O jogador disse que ela teria avançado sobre ele e praticado sexo oral quando o viu no banheiro.

Ainda que tenha mudado a versão e admitido que houve relação entre eles, o atleta sustenta que tudo foi consentido.

Dois empresários e um advogado partiram do Brasil em direção a Barcelona na sexta (20) para prestar assistência jurídica, burocrática e emocional ao jogador, que estava sozinho enquanto prestou depoimento.

Daniel Alves deve ficar preso até se encerrarem as investigações, o que pode levar até quatro anos. Antes de ser levado à cela, ele passou por exame médico e acompanhamento psicológico. Se condenado, ele pode ficar até 12 anos preso.

Foto: Reprodução/Daniel Leal-Olivas/AFP

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