por Daniel Frances

A escritora Martha Medeiros uma vez disse: que tudo que sofremos e pensamos, dentro de um abraço se dissolve! Esta quarentena tem sido um momento de profunda reflexão sobre a importância de tanta coisa: ausência física, carinho e abraços dados ou não dados. A quem faltou aquele abraço, a palavra de apoio, o sorriso de leveza, a toque de esperança, a alma por inteiro?

Fechados em nossas casas tivemos que aprender ou reaprender a conviver conosco e nossos entes amados. Tivemos que nos encher de esperança diante de tanta tragédia apresentada nos números diários de mortos. Selecionar o que ver, o que fazer, o que sentir. Muitos de nós sairemos desta fase sendo outro: renovado em fé, em esperança, menos preso ao dinheiro, mais atento ao presente. Aprenderemos a sentir o pulsar da vida, o valor do amanhecer, do pôr de sol, da alegria de desejar BOM DIA, da graça de caminhar livre sem barreiras e principalmente do DISTRIBUIR ABRAÇOS.

Sempre achei que os abraços são com uma digital de afeto que deixamos no corpo do outro. Ele é nosso carimbo de alegria por rever, por estar próximo, por ser gente, por estar vivo. Não desperdice nunca mais esse momento, não pense duas vezes em se aproximar e abraçar. Nesta hora tão incerta, abrace-se e abrace imaginativamente a todos que ama, peça perdão, peça luz, irradie sua essência. Afinal o que restou a nós trancafiados é ter a certeza máxima do quanto a liberdade é valiosa!

Daniel Frances é historiador, psicanalista e autor de livros sobre sociologia e história.