Um estudo realizado por pesquisadores da EESP-FGV (Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas), em que foram analisadas milhões de operações de Day Trade na B3 (Bolsa de Valores brasileira), comparou, ao longo de seis anos, os resultados de investimentos feitos por pessoas físicas com investidores com CNPJ. De acordo com o trabalho coordenado pelos professores Fernando Chague e Bruno Giovannetti, há uma grande disparidade entre os rendimentos de investidores individuais com aqueles que têm na retaguarda bancos e corretoras.

Cada vez mais popular no Brasil, o Day Trade é uma operação de compra a venda de ativos ou derivativos realizada em um único dia na Bolsa de Valores, cujo objetivo é obter lucro com a oscilação de preço ao longo do dia. O número de buscas no Google por cursos de Day Trade, por exemplo, triplicou durante a pandemia, de 2019 para cá.

Para o analista financeiro Sancler Leal, o prejuízo registrado com o Day Trade por investidores individuais é decorrente da falta de uma preparação adequada, em que estes profissionais “colocam o dinheiro na frente do conhecimento”.

O levantamento da FGV foi feito a partir de um universo de cerca de 20 mil investidores, onde foi constatado que apenas 8% deles (ou cerca de de 1.500 investidores individuais) operaram como day trader por mais de 300 dias, critério que indica a intenção destes profissionais de viver da atividade.

Dentro deste universo de investidores, 91% deles tiveram prejuízo, ao passo que apenas 0,8% teve lucro diário superior a R$ 300. Nos seis anos analisados pelos pesquisadores, o prejuízo dos investidores individuais passou de R$ 11 milhões, em 2012, a R$ 272 milhões, em 2017. O lucro das pessoas jurídicas com o Day Trade, por outro lado, neste mesmo intervalo, subiu de R$ 5 milhões para R$ 110 milhões.

“As pessoas veem que é algo simples de se fazer e por isso não buscam o conhecimento. Quem inicia operações sem conhecimento, vai ter prejuízo. Principalmente, nos seis primeiros meses que o profissional ainda não atingiu a curva de aprendizagem necessária para entender as nuances do mercado”, diz Leal.

Leal pontua que é importante que um investidor tenha um treinamento de “um ou dois anos” antes de começar a atuar como day trader. E, caso decida investir dinheiro no início da jornada, procure a orientação de um profissional certificado.

“As pessoas buscam qualquer conteúdo com a facilidade da internet, mas não se certificam se quem produziu aquele conteúdo é certificado e tem competência no que está falando”, afirma. “Além do conteúdo de qualidade é necessário do tempo de aprendizagem para operar. Quem não tem essa maturidade, certamente terá perdas de altas quantias em curto prazo”.

De acordo com a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), o universo dos investidores individuais passou de 500 mil, em 2017, a quase 4 milhões, no ano passado.

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