O alto risco de infecção do novo coronavírus fez com que escolas se adaptassem a um novo método de ensino. Em Ponta Grossa, cerca de 32 mil crianças, do infantil ao quinto ano, estão estudando em casa, através da TV aberta. Além disso, atividades são enviadas para avaliar o desempenho e auxiliar na fixação do conteúdo. As aulas presenciais estão suspensas desde o dia 20 de março e não há uma previsão de retorno por conta da ascensão dos números da Covid-19. Porém, a Secretaria Municipal de Educação (SME) afirma que os alunos não perderão o ano letivo.

De acordo com a secretária de Educação de Ponta Grossa, Esméria Savelli, não existe possibilidade de cancelamento do ano letivo. “A SME não está trabalhando com a perspectiva de não terminarmos o ano letivo. Por isso estamos cumprindo o currículo de maneira remota e com a perspectiva de recuperar aquilo que estiver mais defasado para cada aluno no momento do retorno. Estamos nos preparando para suprir essa possível defasagem assim que retornarmos”, disse.

DESAFIO NO ENSINO

Savelli avalia positivamente as aulas remotas e ressalta o compromisso dos professores neste momento atípico na Educação. “As atividades remotas são parte do processo de aprendizagem, não todo ele. Será presencialmente, com a mediação direta do professor, que o processo de aprendizagem será finalizado”, explica. “Trata-se de uma experiencia extremamente positiva, que resulta do compromisso de nossos profissionais da Educação, os quais estão fazendo o enfrentamento de toda essa situação com muita criatividade e dedicação. É um desafio que eles nunca imaginaram que iriam passar, que precisariam desenvolver esse tipo de aula. Não só estão passando pelo teste como estão encantando e aprimorando a sua prática pedagógica. É um trabalho superpositivo”, complementa.

Adriane Ferreria Galvão é professora do sistema público municipal e acredita que o ano letivo não pode ser cancelado. “É algo totalmente novo para todos, e ninguém nunca pensou em passar por uma situação dessa magnitude. Particularmente eu acredito que o ano não deve ser cancelado porque existem muitas crianças que estão sim trabalhando e fazendo as atividades e, consequentemente, se desenvolvendo. Claro que nunca o ensino remoto substituirá o ensino presencial, e que as crianças e adolescentes ainda não possuem maturidade suficiente para fazer os seus estudos à distância como os adultos. Também devemos colocar que há uma diferença gritante entre o ensino remoto, que é a modalidade escolhida, e o EAD [Ensino à Distância] que é outra modalidade totalmente diferente”, ressalta.

A professora acredita que, mesmo com as atividades e aulas pela televisão, os alunos terão dificuldades para fixar o conteúdo. “O que poderia ser feito para amenizar a defasagem desses alunos é um planejamento de pelo menos dois anos para colocar em dia todas as questões que ficaram a desejar. Talvez fazer no final desse processo, não sei se esse ano ou ano que vem, uma avaliação de nivelamento para saber quais as crianças que poderiam ter sua progressão e quais precisariam ser retidas, uma avaliação pautada em critérios firmes, sem politicagem. Não acredito que somente as aulas da TV com as atividades sejam suficientes, como disse, as crianças e adolescentes não possuem maturidade para o auto estudo, tampouco tinham o hábito do estudo em casa, o que torna as atividades remotas bem complicadas”, complementa Adriane.

SEM PREVISÃO DE RETORNO

Esméria é enfática em dizer que o ano letivo está em pleno andamento e que as ações no município serão pautadas nas decisões do governo do Paraná. “Até o momento, o Ministério da Educação manteve a previsão de 800 horas para o ano letivo. Isso significa que, para cumprir toda a carga horária, precisaremos ampliar o tempo de permanência na escola, o que significa realizar aulas inclusive aos sábados – contando também com as atividades remotas”, conta. Ela ainda afirma que a organização é pensada diariamente na Secretaria. “Estamos monitorando o dia a dia da evolução da pandemia e também as ações do Governo do Estado no que diz respeito à previsão de retorno das atividades escolares. Em Ponta Grossa nós iremos acompanhar aquilo que for decidido pelo governo estadual. Nosso retorno depende das ações dos órgãos de Educação e Saúde”, complementa a secretária.

SINDICATO ARGUMENTA SOBRE A HIGIENE NO RETORNO ÀS AULAS PRESENCIAIS

Roberto Ferensovicz, presidente do SindiServ – Sindicato dos Servidores Municipais -, relata que a maior preocupação da categoria é em manter a higiene em uma possível volta do ensino presencial em 2020. “Vamos imaginar que as aulas retornem neste ano, ou até mesmo no começo do ano que vem, são 32 mil alunos do ensino municipal. Como manter a segurança das crianças com equipamentos de proteção individual? O risco de uma criança pegar ou passar a doença é muito grande e o sistema não tem estrutura para monitorar a higiene destes alunos e o distanciamento”, enfatiza.

Adriane, professora do ensino de Ponta Grossa, tem o mesmo ponto de vista. “Sabemos que a estrutura é muito precária, a escola mais uma vez vai arcar com toda a responsabilidade desse controle sanitário. Não há como evitar o contato em banheiros e bebedouros, não há pessoas suficientes para fazer a higienização diária. E o maior prejudicado será o professor, que estará a frente de todas essas particularidades” desabafa. Ela ainda lembra que dentro da escola é necessário diversos outros cuidados, como a escovação, a aplicação de flúor e o atendimento direto às crianças que por algum motivo estejam doentes. “O controle pode até ser feito, porém não será suficiente para garantir a segurança dos alunos e dos funcionários como um todo”, ressalta a professora.

A EVOLUÇÃO DA APRENDIZAGEM

Para a secretária de Educação, esse momento será de evolução na aprendizagem. “Certamente esta experiência irá mudar a forma como entendemos a educação remota e também a presencial. Com toda certeza, os professores da rede municipal de Ponta Grossa serão ainda melhores e estarão mais capacitados para os desafios da Educação”, coloca. Ela também lembra que será necessário manter o acompanhamento dos alunos para que seja suprida qualquer defasagem.

Esméria afirma que a Secretaria Municipal de Educação não tem previsão para o retorno das aulas presenciais, “porém o certo é que os alunos não perderão o ano letivo e o ensino deve ser reforçado quando as escolas abrirem novamente as portas”, finaliza.

Por Igor Rosa | Foto: PMPG