Alunos do último ano do curso de Engenharia de Computação da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) desenvolveram um sistema que promete auxiliar pessoas com deficiência a se comunicarem. Utilizando uma webcam de baixo custo, o sistema captura o movimento dos olhos na hora de digitar ou escolher palavras no teclado. O software desenvolvido, baseado na tecnologia de “Eye Tracking”, ainda é um protótipo, mas já se apresenta como uma opção de programa mais econômica.

O projeto faz parte do Trabalho de Conclusão de Curso dos estudantes André Vieira Bernardo e Dericson Pablo Calari Nunes, apresentado na última terça-feira (16), com nota máxima ao final. O aplicativo foi desenvolvido com base no machine learning, onde o programa consegue detectar rostos dos usuários. Com análise quadro a quadro, o aplicativo identifica os pontos do rosto. “Desenvolvemos o programa para reconhecer apenas a parte dos olhos e, a partir disso, aplicamos vários métodos para o reconhecimento de quando o usuário está piscando, a direção do olhar e dilatação das pupilas”, explica André. Dessa forma, com base na feição do usuário, o Eye Tracking identifica a direção do olhar e traduz em ações na tela, permitindo que a pessoa transmita sua mensagem.  Tudo desenvolvido com equipamentos e programas de baixo custo.

De acordo com Dericson, a ideia do projeto começou a partir do desejo de ajudar pessoas com deficiência. “Depois de conversarmos com o professor, ele nos ajudou a definir o escopo. Para mim, foi de extrema importância participar desse projeto, pois temos, como engenheiros, o ideal de ajudar as pessoas”. Os alunos ainda relatam que encontraram algumas dificuldades ao longo do projeto. “Vimos que é necessário desenvolver uma configuração para cada usuário e, por não ter sido possível testar com uma pessoa com deficiência, tivemos alguns tropeços na parte de detecção dos olhos, mas não foi tão complicado de resolver”, explica André.

Para o professor do curso e orientador do projeto, Albino Szesz Junior, o sucesso no resultado final veio depois de muito trabalho. De acordo com ele, mesmo remotamente, o grupo não parou de trabalhar e utilizou muito das plataformas digitais para fazer o projeto andar. “Ficou um pouco mais difícil o processo em alguns aspectos, mas é para isso que estamos em uma universidade pública, onde corremos atrás dos conhecimentos para oferecer o melhor para a sociedade. Quando vemos um protótipo que tem grande chance de se tornar um produto, enche de orgulho a UEPG. É para isso que lutamos pelo ensino de qualidade”.

Durante a defesa de TCC, os alunos contaram com a participação da Maria Lucia Wood Saldanha, que recentemente lançou o livro “Como cresci com ELA”, o qual relata como é viver com as dificuldades impostas pela Esclerose Lateral Amiotrófica.  “Foi muito emocionante termos a participação da Maria Lucia, nos emocionamos bastante, além de reforçar a ideia de que precisamos desenvolver cada vez mais projetos de acessibilidade”, completa Dericson.

O grupo planeja disponibilizar gratuitamente o protótipo para a comunidade e futuramente lançá-lo como produto. Os desenvolvedores já trabalham nas melhorias, como luminosidade, interface mais limpa, mais opções de uso e dígitos no teclado. “Esse produto se tornará público, pois nosso objetivo é que mais pessoas tenham acesso a ele. Queremos aproximar os projetos da Universidade à comunidade”, finaliza Albino.

da CCOM UEPG .