Como é ser uma pessoa do espectro autista na área acadêmica? A pergunta foi tema do trabalho de conclusão de curso de Loriane Mierzva, aluna do curso de Licenciatura em Artes Visuais, da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Intitulado ‘Inclusão e História de Vida Pessoal e Acadêmica’, o trabalho foi apresentado no último dia 23. No projeto, Loriane aborda sua trajetória de vida, com o objetivo de contribuir para a formação de professores e repensar a inclusão na educação.

O TCC de Loriane fala sobre transtornos globais de desenvolvimento, inclusão e história da aluna. “Apresentei todas as dificuldades que tive com escolas conceituadas que não sabiam o que era inclusão. Nos dias de hoje, se faz necessário conhecimento e preparo na educação para inclusão, embora exista apenas em tese, pois a realidade é outra”.

Durante a graduação, Loriane teve contato com áreas que sempre se interessou, como pinturas, fotografia e artes em geral. A experiência possibilitou, também, que a aluna pudesse exercer a didática como professora. “Nunca havia me imaginado como professora e tive essa experiência dando essas aulas nos estágios. Isso foi muito importante para mim, pois estou me formando em artes visuais, o que levarei por toda minha vida”, explica.

Sua orientadora de TCC, professora Ana Luiza Ruschel Nunes, explica que o tema foi negociado com Loriane, de forma dialogada e sem imposições. “Mas nós queríamos propor que ela contasse sua história de vida. Isso seria uma forma de conscientização na compreensão dos limites e possibilidades de seus transtornos”. Loriane aceitou e a dupla iniciou os trabalhos para produzir uma autobiografia, de seu percurso pessoal e acadêmico, sempre com intermediação de seus pais. “A cada dia ela gostava mais do tema, das buscas teóricas e da construção de um portfólio de sua produção durante o curso”, ressalta Ana.

Loriane conta que, durante a apresentação, estava um pouco nervosa, “mas, como conhecia as pessoas que estavam assistindo, me tranquilizei. Agradeço aos meus pais, professores e colegas, que, mesmo diante do desconhecido, foram atrás e conseguiram mudar todo o sistema para poder trabalhar com uma aluna autista”. A acadêmica ressalta que sua passagem pela universidade foi um aprendizado para todos, “pois eles agora estão prontos para receber outros alunos com transtornos. Meu agradecimento especial à minha orientadora, que me ajudou muito, e juntas vamos transformar meu TCC em livro”.

Inclusão

Por ser uma pessoa do espectro autista, cursar a faculdade foi uma experiência totalmente nova e de superação para Loriane. “No começo, encontrei algumas dificuldades, por estar em um lugar novo e desconhecido e pelas pessoas que nunca tinha visto antes, mas fui me acostumando com eles e fui fazendo amizades”, conta.

Ao longo dos anos na Universidade, a estudante pôde contar com a ajuda dos professores do curso. Ana ressalta que Loriane foi uma ótima aluna, porém, reservada. “O Colegiado do Curso fez reuniões com os pais para compreender melhor o transtorno global de desenvolvimento e buscar alternativas de como estabelecer estratégias de relação interpessoal com Loriane”. Os professores também discutiram o tempo pedagógico e a avaliação da aprendizagem nas disciplinas. “Foi uma acolhida e caminho para uma inclusão de uma aluna autista no ensino superior na área de Artes Visuais”.

Após concluir o curso, a estudante já venceu algumas barreiras. De acordo com a professora, a aluna já que apresenta maior desenvoltura na comunicação e trabalha em estudos teóricos de forma mais autônoma. “Loriane é uma acadêmica vitoriosa e um exemplo de inclusão na UEPG e no Curso de Licenciatura em Artes Visuais”, finaliza.

Da assessoria