No mês dedicado ao combate ao feminicídio no Paraná, a Secretaria de Políticas Públicas para as Mulheres deu início a uma ação que busca conscientizar tanto as vítimas de violência contra a mulher, quanto aqueles que estão próximos e podem ajudar, principalmente, em meio a pandemia e tempos de distanciamento social: os vizinhos. Por isso, as equipes da Secretaria convidaram moradores de condomínios residenciais e comerciais a atuarem como aliados no combate à violência doméstica. Sete edifícios e mais de 100 apartamentos já foram visitados, com distribuição de cartazes informativos mostrando como buscar ajuda.

A campanha atende a Lei Estadual 10.145/2020 que exige que os condomínios comuniquem a Polícia Militar em casos de violência doméstica, já que, por muitas vezes, moradores vizinhos não se envolvem na denúncia.

“O que nós queremos desconstruir é justamente essa visão de que nesses casos, o problema é do casal e não deve ter intervenção externa. Muito pelo contrário, a denúncia, muitas vezes, pode salvar a vida das mulheres”, afirmou a secretária de Políticas Públicas para as Mulheres, Andresa do Amaral.

“Sabemos que há casos em que as pessoas, sejam vítimas ou vizinhos, não sabem como agir e por isso estamos aqui, para mostrar que em Guarapuava há um lugar de referência, uma porta de entrada para aquelas que precisam de ajuda ou denunciar. A Secretaria da Mulher é esse canal anônimo de acionamento que dará todo o amparo necessário para que as mulheres rompam o ciclo da violência”, completou a secretária.

Ao longo do mês, a ação irá percorrer cerca de 200 edifícios do município para alertar a vizinhança sobre os sinais da violência doméstica. O mapeamento dos prédios é feito através das imobiliárias e posterior contato da equipe com síndicos, porteiros ou guardas para que os informativos sejam divulgados nos condomínios.

Guarapuava não registrou nenhum caso de feminicídio no primeiro quadrimestre de 2020. Entretanto, o crescimento nos registros de boletins de ocorrência, em comparação ao ano passado, revelou que as medidas de prevenção são necessárias para inibir o ciclo de violência contra as guarapuavanas.

O professor de gastronomia, Guilherme Romani, é sindico do Edifício Portugal. Para ele, iniciativas como essa podem despertar o olhar mais atento sobre o outro. “Com esse conhecimento sobre o serviço, acredito que até mesmo o agressor possa se intimidar ao ver que a vizinhança está atenta aos sinais de violência. E para a vítima, é uma rede de proteção e apoio”, destacou.

Desde 2013, o encorajamento de denúncias é articulado e estimulado pela Secretaria. Segundo Andresa, saber como ajudar contribui significativamente para salvar uma vida. “Essa ajuda pode vir com ações sutis como ao mostrar-se presente, perguntar à vizinha como ela está. Às vezes, contatos corriqueiros, como pedir algo emprestado, por exemplo, pode criar um momento de abertura para oferecer ajuda”, ponderou a secretária.

SERVIÇO

Neste período de distanciamento social, o CRAM atende presencialmente os casos de maior risco, das 13h às 17h, porém tem feito orientações jurídicas e atendimentos/encaminhamentos sociais, e ainda atendimento psicológico via telefone, das 8h às 17h. A Delegacia da Mulher está atendendo, das 14h às 17h, e o Poder Judiciário tem expedido as Medidas Protetivas em 24 horas.

Demais atendimentos e dúvidas podem ser tiradas no CRAM pelo telefone (42) 98405-6206. Em caso de emergências, também estão disponíveis os números 190, da Polícia Militar e 180, da Delegacia da Mulher.

da Secom Guarapuava   foto